Vai ter Copa
Das bets às bandeiras, ao som de Bethânia
Nada contra o sotaque italiano, mas eu teria chamado a Maria Bethânia para cantar a convocação. Depois de tantas quedas nas últimas Copas (a começar pelas do Neymar, nosso ator principal há três mundiais e trocentas baladas), era hora de mostrar ao mundo que, quando se trata de futebol, ainda somos intensos.
É verdade que chegar aos Estados Unidos como azarão já nos ajudou em outros tempos. Só que hoje, em meio a doses cavalares de escândalos políticos no noticiário verde-amarelo, esse título pode ser confundido com certa cinebiografia que, segundo a crítica, é a maior queimação de filme desde Cinderela baiana.
O que há de fazer a diferença para que o time vá longe e garanta vários pontos facultativos, numa preliminar do tão ansiado fim da escala seis por um, são as conexões de Ancelotti com Scorsese e, por tabela, com a máfia ítalo-hollywoodiana. Se for para usar equinos contra os adversários, que sejam aqueles cuja cabeça só a família Corleone sabe cortar.
Estou moderadamente otimista. Só não digo que podemos apostar no hexa porque abomino as bets. E abomino também qualquer um que incentive o vício nesses cassinos virtuais. Que gol contra fez a Globo ao contratar a garota-propaganda do Tigrinho para estrelar suas matérias especiais durante o torneio! Viva a época em que a repórter escalada para erguer a taça e a audiência tinha pelo menos um diploma de jornalismo.
Aqui no bairro já surgiram nas janelas e varandas as primeiras bandeiras, algumas acompanhadas da observação de que foram desfraldadas exclusivamente para o evento esportivo. Eu tomaria o mesmo cuidado. Jamais admitiria ser rotulado como quem brinda com detergente após uma vitória canarinha.
Os entendidos andam dizendo que França e Espanha vêm fortes e devem ser as maiores pedras na chuteira do Brasil. Talvez. Mas medo mesmo eu tenho é de cruzar nos play-offs com os donos da casa, que não só cultivam o hábito de se acharem também os donos do planeta, como ainda são especialistas em mata-mata.
Eles que não cresçam em cima de nós. Eles que não botem o tarifaço de fora. Pois a revanche é logo ali. Ano que vem a peleja continua do lado de baixo do Equador, em solo mátrio, sobre relva sagrada – a poucos quilômetros da Barreira do Vasco, berço futebolístico da Rainha Marta –, e desta vez a Seleção entrará em campo indiscutivelmente sem meninos.


